sábado, 31 de janeiro de 2015

E à família? Para a gloria do Senhor...

O  livro  de  Gênesis,  que  é  o  livro  dos  princípios,  da origem da criação, a fonte de tudo que foi criado e com leis para o reger:  temos o registro da origem  do  mundo  (Gn 1-2),  a  origem  do homem  e  da  mulher   (Gn  2.4-25),  a  origem  do  pecado  (Gn 3.1-24),  origem  do  casamento  e  da  família (Gn 2.18-25; 4.1-7),  da  corrupção  humana  manifestada  em várias áreas  (Gn  4.1-24;  6.1-7),  o registro das nações  (Gn  10.  1-32),  dos  patriarcas  (Gn  12-50) nos deixa a direção para sobre a família.

EVIDÊNCIA BÍBLICA PARA A CRIAÇÃO.
A Bíblia deixa claro que a criação surgiu do nada, Deus criou o universo sem nenhum elemento já ter sido criado. As expressões e textos bíblicos relatando deixa claro essa verdade:
Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus; e todo o exército deles, pelo espírito da sua boca.  Ele ajunta as águas do mar como num montão; põe os abismos em tesouros.  Tema toda a terra ao SENHOR; temam-no todos os moradores do mundo.  Porque falou, e tudo se fez; mandou, e logo tudo apareceu. (Sl 33.6-9 RAC).
Algumas vezes a expressão latina “ex nihilo, do nada”, é usada para afirmar essa afirmação. A expressão, céus e terras afirmam a totalidade da criação divina, abrangendo todas as áreas do universo. Portanto, quando falamos que a criação foi feita a partir do nada, foi feito para um princípio, para a glória de Deus.
A Glória de Deus Glória é um termo bíblico familiar, transmitindo normalmente a manifestação visível do ser de Deus. Sua glória nos leva ao âmago de tudo que é essencial ao seu ser como Deus, sua majestade divina, sua divindade total. Na Escritura, esta perfeição foi expressa na manifestação em várias passagens como:  no Monte Sinai, Esta perfeição pode servir como termo sumário para vários outros aspectos. A glória de Deus subentende (2):
1.1.1 A infinitude de Deus: ele não tem limitações. Ele “habita em luz inacessível”(1 Tm 6.16), um Deus de “juízos insondáveis” e cujos caminhos são “inescrutáveis”(Rm 11.33).
1.1.2. A auto-existência de Deus: ele não depende absolutamente de nada. “No princípio Deus...”(Gn 1.1); “como se de alguma coisa precisasse”(At 17.25; cf. Is 40.13ss).
1.1.3. A imutabilidade de Deus: ele é sempre o mesmo. “Porque eu, o Senhor, não mudo”(Ml 3.6); “o Pai das luzes, em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança”(Tg 1.17).
A imutabilidade de Deus é expressa em sua fidelidade no relacionamento com o seu povo. A própria aliança é baseada nesta perfeição.  Portanto, a glória de Deus proclama a absoluta prioridade e auto-suficiência do Senhor. A criação do universo e do homem são atos de graça espontânea e não exigências do ser de Deus. Nosso valor e significado finais se encontram, desta forma, na glória de Deus (cf. Ef. 1.12).
Deus criou a totalidade do universo do nada, nenhuma matéria no universo é eterna, teve um ponto de partida, um “start”, tudo o que vemos criado, como campos, rios, animais, rochas, veio à existência quando Deus os criou. Isso nos faz lembrar que o soberano, além de criador, governa todas as coisas, e que nada na criação tem leis próprias ou consegue se autogovernar. Talvez, se negássemos essa doutrina  deveríamos afirmar que algum tipo de matéria já existia, e com isso teríamos vida independente fora dos controles naturais exercidos pela natureza, assim Deus não seria o governador e criador de tudo e todos.
Deus criou o universo a partir do nada e esse universo tem significado,  propósito e leis a direcionar. Deus, em sua sabedoria, criou-o para alguma coisa. Devemos tentar entender esse propósito e usar a criação de modo que ela se encaixe nesse propósito, a saber, o de trazer glória ao próprio Deus. Além disso, sempre que a criação nos traga satisfação (cf. 1 Tm 6.17), devemos agradecer a Deus, que criou todas as coisas.
Quando afirmamos que Deus criou o universo para mostrar a sua glória, é importante que percebamos que ele não precisava criá-lo. Não devemos pensar que Deus precisava de mais glória do que ele tinha dentro da Trindade por toda a eternidade ou que ele estava de alguma forma incompleto sem a glória que haveria de receber do universo criado. Isso seria negar a independência de Deus e sugerir que Deus precisava do universo a fim de ser plenamente Deus. Ao contrário, devemos afirmar que a criação do universo foi um ato de Deus totalmente livre. Não era um ato necessário, mas foi algo que Deus escolheu fazer .”Tu, Senhor [...], criaste todas as coisas, e por tua vontade elas existem e foram criadas” (Ap 4.11). Deus quis criar o universo para demonstrar sua excelência. A criação mostra sua grande sabedoria e poder, bem como, de modo supremo, todos os seus outros atributos. Parece então que Deus criou o universo para se deleitar na criação, pois, como a criação mostra os vários aspectos do caráter de Deus, ele tem prazer nela.
Isso explica por que temos prazer espontâneo em todas as espécies de atividades criadoras que temos.

CRIAÇÃO DO HOMEM
Após criar a terra, as plantas e os animais, Deus criou o homem. Ao criar as coisas anteriores, Deus simplesmente ordenou que elas viessem à existência. Em Gênesis 1.3, ele diz, “Haja luz”, e no versículo 1 1 ele diz, “E disse Deus: Produza a terra erva verde,”. Quanto a doutrina do homem, o relato de Gênesis registra o que parece ser um diálogo entre os membros da Trindade, concordando em criá-lo à imagem de Deus: 'Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (1.26). Mesmo sem a informação anterior contida nos  versículos 26-30, isso sugere uma relação especial entre Deus e o homem, e que um cuidado especial foi dado em sua criação.

Gênesis 1.26-27; 2.7, 21-22 reconta a criação do homem da seguinte forma:

1.26 E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra. 27 E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.
2.7 E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. 21 Então, o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar. 22 E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão.
Nos dois capítulos iniciais de Gênesis o homem é retratado como  ao nível da natureza e acima dela, em continuidade em relação a ela, e em descontinuidade. Partilha o sexto dia com outras criaturas, é feito do pó como elas (2:7,19), alimenta-se como elas (1:29,30) e se reproduz sob uma bênção semelhante à delas (1:22,28). Assim, pode muito bem ser estudado em parte mediante o estudo delas. Elas constituem a metade do seu contexto. Mas a ênfase cai na distinção que há entre ele e elas.  Façamos está em tácito contraste com  ‘‘Produza a terra”(24); a nota de auto comunhão e o plural majestático proclamam-no um momentoso passo; isto feito, a criação inteira está completa.  Em comparação16 com os animais, o homem é colocado em posição à parte por seu ofício (1:26, 28; 2:19;  cf.SI 8:4-8; Tg3:7), e ainda mais por sua natureza (2:20); mas o apogeu da sua glória é  sua relação com Deus. (3)

Adão e Eva no Éden eram vice gerentes pactuais. Eles tinham grandes privilégios vivendo e servindo na “casa do trono e domínio real” de Deus Yahweh. Mas eles não deveriam ser como Deus, ou desejar e buscar ser “deuses”. Yahweh colocou limitações sobre eles e diante deles. Este fato era da própria essência de um pacto feito unilateralmente por um Mestre soberano. Adão e Eva eram limitados no uso dos frutos do jardim; eles receberam parâmetros para a sua comunhão com Yahweh. Eles receberam instruções a respeito da vida familiar e social; o homem deixaria seus pais, quebraria aquela ligação íntima a fim de apegar-se intimamente à sua esposa. O homem seria uma só carne com uma mulher para vida. Mais, o homem foi feito ciente de que a companheira, ajudadora, uma parceira geradora de vida, não poderia ser tomada do mundo animal (Gn 2.19).
Adão e Eva eram os representantes pactuais de Yahweh. Como vice gerentes, eles representavam seu Rei soberano no seu reino cósmico. Seu status, prerrogativas, responsabilidades e bênçãos eram tais que eles, de fato, ocupavam a mais alta posição e recebiam privilégios reais como nenhum outro ente criado. Eles receberam responsabilidades sobre cada faceta da vida. Eles deveriam governar com Yahweh sobre tudo o que tinha sido criado. De fato, eles estavam na mais alta posição possível no reino cósmico de Yahweh. Todos os aspectos da criação, todas as leis e todas as funções, como ordenado e estabelecido por Deus Yahweh, estavam no lugar. Adão e Eva foram designados, não para serem co-criadores, mas vice gerentes com Yahweh. Deste modo, Deus preparou e iniciou o processo de revelar seu desígnio maravilhoso para e dentro do reino cósmico. Ele estabeleceu e iniciou o processo da história.  (4)

O homem foi criado por Deus como a coroa de toda a sua criação, à imagem de Deus e segundo a Sua semelhança (santo, justo e bom), com uma alma racional, para governar, como representante de Deus, sobre toda a criação. Um detalhe importante é que, o homem foi criado antes da mulher, e visto que já existia um membro da espécie humana na criação da mulher, Deus tomou material pré-existente a partir do homem para criá-la. Contudo, quando Deus criou o homem, a Bíblia não diz que ele usou material pré-existente a partir dos animais que ele já tinha criado, mas que ele pegou diretamente “o pó da terra” e diretamente “soprou em suas narinas o fôlego de vida”.  Ainda sobre a criação,  é interessante lembrar que Gênesis 1.27 diz que Deus criou os seres humanos como macho e fêmea: “Criou Deus o homem a sua imagem, a imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou”. Esse versículo indica que tanto o macho como a fêmea foram criados a imagem de Deus, e ambos pertencem a categoria de homem. O domínio que Deus deu ao homem pertence tanto ao macho como a fêmea, visto que o versículo 28 diz: “Deus os abençoou, e lhes disse: 'Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra'. O que entendemos por esses dois versículos é que um gênero não é intrinsecamente superior ao outro. Contudo, embora o valor ontológico dos homens e das mulheres seja o mesmo, Deus impôs uma estrutura de autoridade sobre eles para definir as funções deles dentro da sociedade, especialmente na relação do casamento e no governo da igreja. Assim, dentro desse texto e análise, percebemos que existem leis estabelecidas na criação para o bom andamento da família na sociedade, e que esses valores desobedecidos permitem uma séria desestruturação do núcleo criado por Deus, e com isso sequencias desastrosas são colhidas com essas atitudes.


Ao homem foi dado autoridade como cuidador e mantenedor da família no Édem
Existe uma aliança entre homem e mulher, que esta bem no centro do cosmo, mas que ao mesmo tempo, esta intimamente relacionada com o Pai, o Verbo e o Espirito. Existe aquele relacionamento que deseja comunhão e nos o chamamos de o mandato da comunhão. Portanto, quando você olha para o que esta bem no centro do reino cósmico, você vê o homem e a mulher com seus descendentes, a família. Eles tem um relacionamento, como estudamos anteriormente, homem e mulher unidos em casamento são ligados pela Aliança. Os descendentes estão ligados pela aliança aos pais. Nos temos um relacionamento social promovido pela aliança, por intermédio do qual Deus realiza o seu trabalho. Também chamamos essa instituição social, a família, de agente mediador. Basicamente, esta entre Deus e o cosmos enquanto permanece no centro dele. (5)
Na realidade, podemos encontrar neste Pacto da Criação três mandatos que o Senhor deu ao homem: Espiritual, social e cultural. O mandato espiritual envolve a expressão em forma de resposta da humanidade ao relacionamento que Deus estabelecera entre si próprio e os portadores da sua imagem. A cada sétimo dia, esta comunhão deveria ser expressa da maneira mais completa e rica possível. O mandato social pôde ser dado porque Deus criou a humanidade como macho e fêmea. Deus ordenou a união do homem e mulher como uma só carne, a fecundidade, multiplicação e o enchimento da terra. O mandato cultural envolve a vice-gerência do homem sobre o cosmos. Era para o homem desenvolver e manter tudo aquilo que havia sido criado por Deus. Através deste mandato, Deus colocou a humanidade em um relacionamento singular com a criação, para dominar e sujeitar (Gn 1.28), guardar e cultivar (Gn 2.17). 

A mulher foi dada como Auxiliadora
A teologia Bíblica nos auxilia nessa fase, para mostrar a importância da mulher desde o primeiro livro da Palavra de Deus. O mundo que vivemos é domínio de Deus; é seu reino.  Vemos à luz das Escrituras que a Mulher é criada para ser a vice-regente, juntamente com o seu marido do mundo criado, logo, ela tem um papel importante e significativo na história redentiva de Deus. Dentro desta esfera as mulheres, juntamente com o seu marido, recebem os três mandatos de Deus: Cultural, Social e Espiritual.  Estas três esferas encontram-se bem presente no nosso cotidiano e na vida da mulher que busca servir a Deus. Os três mandatos envolvem a vida regular do homem e da mulher, ambos vivem sob estas perspectivas.  A mulher vem a este mundo com o propósito de ser uma auxiliadora de seu marido, este é um relacionamento na esfera criacional de Deus. (Gênesis 2.18-24) como companheira “Eva” – mãe da vida – deve ser um consolo para Adão e uma pessoa dedicada a viver neste relacionamento, expressando a Imagem de Deus.

Devemos lembrar que autoridade do homem sobre a mulher não se originou por causa da Queda. Mesmo antes de Deus criar a mulher, ele disse que ela seria a “ajudadora” do homem (Gênesis 2:18). Paulo ensina que a autoridade do homem sobre a mulher não originou por causa do pecado, mas que ela é uma ordenança da criação. Isto é, pela natureza e ordem da criação do homem e da mulher, o homem tem autoridade sobre a mulher.


Implicações pós-queda sobre os mandatos:
No mandato espiritual, o pecado fez separação entre Deus e Sua criação. Até os animais e natureza ficou sujeita à servidão (Rm 8.20). O Homem já nasce alienado de Deus proferindo mentiras (Sl 58.3), mortos espiritualmente, pelo pecado.

No mandato social, além do pecado afetar o nosso relacionamento com Deus, ele afetou nosso relacionamento social entre os familiares. Após a entrada do pecado no mundo o relacionamento perdido, com Deus, afeta as bases da família causando até vergonha sexual entre o homem e a mulher. Desde o quarto capitulo do Gênesis o efeito de pecado se mostra claro, com a morte causada pelo irmão – Caim matando Abel. Filhos não respeitando os pais, desobedecendo-os, ou como o próprio Gênesis mostra, Jacó enganando seu pai com a ajuda de sua mãe (Gn 25). 

Mandato Cultural, o pecado afetou o relacionamento com Deus, ele afetou nosso relacionamento familiar, também, afetou o nosso relacionamento na sociedade. a terra foi amaldiçoada “por sua causa” (Gn 3.17-19) tornando o trabalho árduo.


As consequências na família pós-queda:
 Depois da Queda podemos ver  sentimentos como o medo, a culpa e a vergonha, perturbando a convivência do casal (Gn 3.8-12). O pecado fez o relacionamento familiar adoecer. O lar, criado para ser um local de acolhimento, proteção e cuidado, devido aos pecados começou a tomar um rumo totalmente contrário do plano original. Essas transgressões causam culpa e separam as famílias da comunhão com Deus.  O pecado de um  único homem trouxe consequências terríveis para toda a humanidade. A mulher teria filhos com muita dor (Gn  3.16) e  o  seu desejo, ou seja, sua vontade estaria submetida à vontade de seu marido. Adão deveria comer agora seu pão diário com dores, pois o trabalho de arar a terra para ter sua subsistência garantida seria bem difícil (Gn 3.17). A terra também foi afetada pelo pecado, produzindo espinhos e cardos (Gn 3.18). A morte física também é uma consequência da transgressão do  homem (Gn 3.19).  Como punição pela desobediência, Adão e Eva, foram expulsos do Jardim do Éden (Gn 3.20-24). Tudo era  bom, pois foi  tudo pensado, planejado e criado por um Deus que preza pela excelência. Se tivessem permanecido na obediência, Adão e Eva teriam sido felizes para todo o sempre.  E a  feminização  da  Família:
A feminização da família é observada em pelo menos seis áreas (6):
1. O casamento foi desestabilizado, e o divórcio está numa crescente.
A “demonização” feminista do casamento fez do divórcio algo “socialmente e psicologicamente aceitável, através da ideia de que é uma possível solução para uma instituição defeituosa e já em seu leito de morte.”[6] O ensinamento bíblico que casamento é uma instituição divina e pactual que une homem e mulher para o resto da vida através de um voto sagrado (Gen. 2:18-24; Mat. 19:3-9) foi repudiado pela sociedade moderna. O conceito bíblico foi substituído pela noção de que casamento é uma mera instituição humana, e por isso imperfeita, e que o divórcio é uma forma aceitável de lidar com qualquer problema associado ao casamento.
2. A liderança masculina na família foi substituída por uma organização “igualitária” onde marido e esposa “compartilham” as responsabilidades da liderança na família.
A ideia bíblica de que o homem é o cabeça da família (1 Cor. 11:3-12; Ef. 5:22-23) e senhor do seu lar (1 Pe. 3:5-6) é considerada por feministas algo tirânico e bárbaro, um vestígio do homem primitivo e sua habilidade de dominar fisicamente sua parceira. Nos nossos dias, a esmagadora maioria de ambos homens e mulheres zombam da noção de que a esposa deve se submeter à autoridade do marido.
3. O homem como provedor foi rejeitado, e introduzido um novo modelo de responsabilidade econômica compartilhada. A visão da nossa era é que o homem não é mais responsável do que a mulher por prover as necessidades financeiras da família. Feministas creem que o ensinamento bíblico que o homem é o provedor da família (1 Tim. 5:9) é parte de uma conspiração masculina para manter as mulheres sob seu domínio por fazerem delas economicamente dependentes dos homens.

4. A mulher como uma dona do lar de tempo integral é zombada, e a mulher que trabalha fora buscando realização e independência é agora a norma cultural. O mandamento bíblico para que a mulher seja “dona do lar” (Tito 2:4-5) ou é desconhecido ou ignorado. Pessoas com a mentalidade feminista consideram algo indigno que uma mulher fique em casa e limite suas atividades à esfera do lar e da família. Uma carreira profissional é considerada mais conveniente e significante para as esposas e mães de hoje.

5. A norma bíblica da mulher como cuidadora de suas crianças foi substituída pelo ideal feminista de uma mãe que trabalha fora e deixa seus filhos na creche para que ela possa cuidar de outros assuntos importantes.  A responsabilidade da maternidade é vista em termos muito diferentes do que no passado. O chamado bíblico para a mãe de estar com suas crianças, amá-las, treiná-las, ensiná-las, e protegê-las (1 Tim. 2:15; 5:14) é rejeitado pela visão feminista de uma mulher que foi libertada de tais limitações sobre sua individualidade e realização própria.

6. A ideia de que uma família grande é uma “bênção” é rejeitada por uma noção de que uma família pequena de um ou dois filhos (e para alguns, nenhum filho) é muito melhor. O conceito de “planejamento familiar” objetivando reduzir o número de crianças num lar é defendido por quase todos. O ensino bíblico de que uma família grande é sinal de bênçãos e da soberania de Deus (Salmo 127; 128) é ignorado por famílias modernas, até mesmo aquelas proclamando serem cristãs. A visão feminista que nós determinamos o número de crianças que nós teremos, e que nós somos soberanos sobre esse assunto é agora aceito sem questionamento. E é claro, essa suposta soberania humana sobre a vida e o nascimento leva a justificação do aborto, que é o maior controle de natalidade de todos.

Desafio para nossos dias, um retorno ao mandato social  no Éden.
Quando pensamos em um retorno ao mandato social estabelecido no Édem, é porque enxergamos lá nosso referencial, a obra prima criada por Deus sendo abençoada e direcionada para que pudéssemos viver da melhor forma. A família foi designada por Deus como base na Criação, base para toda a sociedade, para cumprir o propósito divino. Para vivermos como Deus quer e para exercer o nosso papel na criação de Deus precisamos de nossas famílias no modelo divino. Portanto falamos em (7):

O pai, modelo de autoridade, mas também de sujeição e de entrega (Ef 5.22-29). O pai é a cabeça da casa, como Cristo é a cabeça da Igreja, seu Corpo. Mas Cristo deu a sua vida pela Igreja. O mesmo ato deve fazer o marido e pai. Seu amor deve ser declarado, mas principalmente praticado, para ser visto pelos filhos.
A mãe, modelo de sujeição (a Igreja a Cristo, Ef 5.22-24), mas também de cuidado e proteção. Os filhos aprenderão que a Igreja deve sujeitar-se a Cristo, mas também aprenderão com ela que Deus cuida de nós e nos consola (Mt 23.37; Is 66.13).
O casal, modelo de união – Os dois serão uma só carne (Gn 2.24). Formarão um laço ou vínculo (Ez 20.37, trad. brasileira). Isso apontará, na Deidade, para a união da Trindade. E na humanidade, e primeiro no lar, ensinará respeito (reconhecer o outro) e cortesia (fazer concessões ao outro).
O casal, modelo de distinção e complementaridade. “Criou Deus … homem e mulher” (macho e fêmea, Corrigida) (Gn 1.27). O próprio casal deixará bem clara a idéia de macho e fêmea, oposta à androginia da moda. O papai é o macho e a mamãe é a fêmea. A educação sexual (anatomia, funcionamento, relacionamento – verdade e dignidade) começarão em casa, e não nas pagãs aulas de (des)educação sexual nas escolas.
O casal, modelo de fidelidade à Aliança que simboliza a Aliança. “… o SENHOR foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade … o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio…” (Ml 2.14-16). Os pais levarão a sério a sua aliança, para ensinar os filhos a honrar a aliança de Deus. Divórcio nem passa pela cabeça de um casal crente.


Conclusão
Tudo começou com a família. A Aliança começou e continuou na família. Cada família deve espelhar o relacionamento entre Jesus e a Igreja, portanto, a Nova Aliança. Precisamos verificar que estamos ali vivendo e ensinando os mandatos da criação, os relacionamentos da Aliança. Isso integrará a vida toda sob Deus, numa perspectiva da realidade que o Senhor mesmo nos ensina em sua Palavra. Isso é uma cosmovisão bíblica ou, como dizemos, reformada.





Fonte: 
http://www.monergismo.com/textos/criacao/criacao_wayne_grudem.htm
(2)   http://www.monergismo.com/textos/atributos_deus/atributos_milne.htm
(3) GENESIS Introdução e Comentário REV. DEREK KIDNER, M. A. Vida nova São Paulo.
(4)  http://www.monergismo.com/textos/comentarios/adao_eva_eden_gronigen.htm
(5) VAN GRONINGEN, Harriet & Gerard. A família da aliança. Tradução de Bethania  Fonseca da Silva e Maria Priscila Barros. 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã -
(6) Feminização da Família http://www.monergismo.com/william-einwechter/379/
(7) Cosmovisão Reformada na Família : http://ultimato.com.br/sites/estudos-biblicos/assunto/igreja/cosmovisao-reformada-na-familia/




Arminiano de coração e intelecto: uma entrevista com Silas Danie

Arminiano de coração e intelecto: uma entrevista com Silas Daniel

Por Gutierres Fernandes Siqueira
Última edição da revista Obreiro.
Periódico de teologia das ADs.




O teólogo Silas Daniel escreveu recente artigo intitulado “Em Defesa do Arminianismo” na revista Obreiro (ano 36, n° 68). Esse longo texto na principal revista teológica da denominação pentecostal tem causado algum barulho nas redes sociais e está sendo interpretado como uma reação à calvinização crescente de pentecostais, em especial de jovens obreiros da Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Inclusive, está prevista para os próximos meses a publicação da série The Works of James Arminius pela CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus). Sendo, assim, uma iniciativa inédita no mercado editorial evangélico.

No texto, Silas Daniel costura um panorama histórico da doutrina arminiana, rebate alguns mitos sobre a historiografia de Jacob Armínio e da doutrina que leva seu nome. O artigo traz novas informações sobre os primeiros embates entre calvinistas e arminianos no seio da iniciante Assembleia de Deus. Além disso, diferencia as vertentes mais radicais e moderadas do Calvinismo e encerra com a convicção arminiana, mas em tom conciliatório com a tradição reformada.

Nesta entrevista dada ao Blog Teologia Pentecostal ele compartilha conosco mais algumas impressões sobre a relação Arminianismo-Calvinismo e Pentecostalismo.

Silas Daniel é autor de vários livros como "Reflexões sobre a alma e o tempo", "História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil", "Habacuque - a vitória da fé em meio ao caos", "A Sedução das Novas Teologias" e "A História dos Hinos que Amamos", e "Os Doze Profetas Menores" (coautor), todos títulos da CPAD. Editor-chefe do Departamento de Jornalismo da CPAD. Serve como pastor-auxiliar na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Artur Rios, no bairro de Campo Grande, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Pr. Silas Daniel, teólogo e jornalista.
Foto de 2013
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Veja agora essa enriquecedora entrevista.

Blog Teologia Pentecostal- O artigo ““Em defesa do Arminianismo””, de sua autoria, publicado na principal revista teológica da Assembleia de Deus, surge em um momento onde se discute a crescente influência do Calvinismo nas fileiras assembleianas. Levando em conta esse contexto, podemos falar em uma “reação”? Se sim, esse crescimento calvinista entre pentecostais gera alguma preocupação para a identidade assembleiana?
Silas Daniel- Não há uma “reação” oficial da denominação, mas há, sim, a preocupação de alguns irmãos e obreiros assembleianos pelo país com esse aumento da influência do calvinismo no meio assembleiano. O meu artigo surge exatamente como reflexo disso, como fruto dessa preocupação. Ele é uma iniciativa pessoal minha, cuja publicação foi aprovada pela editora oficial da denominação justamente por (1) se reconhecer que há um aumento da influência calvinista no meio assembleiano, que (2) isso precisa ser abordado e que (3) o campo ideal para fazê-lo são as páginas da principal revista de reflexão teológica da denominação. Historicamente, a denominação sempre teve uma posição arminiana. Ela foi fundada por missionários que eram todos eles arminianos e que escreviam textos combatendo o calvinismo. O credo assembleiano, que tem apenas 46 anos, por ser imensamente enxuto, conciso, não entra nos detalhes sobre qual a posição oficial da denominação sobre a mecânica da salvação, mas é fato que, historicamente, sua liderança sempre defendeu a posição arminiana e, como lembrei no meu artigo, chegou até a excluir, em seus primeiros anos de vida, quem aderisse ao calvinismo. Sem falar nos centenas de artigos escritos em suas publicações oficiais nos últimos 100 anos combatendo o calvinismo e defendendo o arminianismo. Enfim, o arminianismo faz parte de nossa identidade.




É verdade que há o caso de alguns poucos teólogos e pensadores assembleianos de respeito no Brasil, os quais respeito muito, que, mais recentemente, defenderam particularmente uma posição que considero estranha, dizendo-se 0% calvinistas, mas não 100% arminianos. Olhando bem o posicionamento deles, vejo mais é um preciosismo em relação ao que acham que Arminius teria dito em relação a isso ou àquilo; na prática, são todos 100% arminianos. E independente da posição meio confusa de um ou outro particularmente, a posição oficial da denominação sempre foi arminiana.




Quanto à preocupação com a nossa identidade, ela é natural. O principal motivo da preocupação com a influência calvinista é a discordância doutrinária mesmo, mas claro que há também a preocupação com a nossa própria identidade. A identidade consiste em tudo aquilo que nos faz ser o que somos. A Assembleia de Deus é do jeito que é não apenas por ser pentecostal, mas por ser também arminiana. Se a Assembleia de Deus deixa de ser arminiana, ela se torna outra coisa, e não mais o que é. É equivocado pensar que uma denominação que deixa de ser arminiana para se tornar calvinista, e vice-versa, não vai sofrer alguma mudança em sua forma de ser. Claro que sofrerá! Há características históricas profundas na AD, e que são caras a ela, seja em sua forma de pregação ou mesmo na liturgia, que são reflexo justamente de seu arminianismo, assim como o calvinismo se reflete na liturgia e no formato da mensagem presbiterianos e congregacionais.




Por que há estudos acadêmicos sérios que mostram pontos de contato inequívocos entre o avivamento wesleyano do século 18 na Inglaterra e o pentecostalismo assembleiano no Brasil, como o célebre estudo desenvolvido pelo professor Luís Wesley de Souza? Não seria pelo fato de haver pontos de contato entre as cosmovisões teológicas wesleyana, de um lado, e pentecostal assembleiana brasileira, de outro? Enquanto isso, você não vai encontrar estudos que mostram profundos pontos de contato entre o calvinismo e o pentecostalismo assembleiano brasileiro. Ora, são todos irmãos em Cristo (metodistas, calvinistas, assembleianos), mas não há dúvida de que determinadas formas de ver ou enfatizar certos aspectos da doutrina bíblica acabam influenciando na forma de ser das igrejas, aproximando umas mais do que outras.




Da mesma forma que uma igreja que começa a se abrir ao pentecostalismo começa a ter sua liturgia afetada, uma igreja pentecostal que começa a se tornar calvinista começa também, aos poucos, a refletir essa mudança em sua liturgia, estilo de mensagens etc. Igrejas com mentalidade calvinista tendem, por exemplo, a serem mais formais em sua liturgia e mais avessas às manifestações pentecostais do que igrejas arminianas. Essa é uma das muitas preocupações, e ela não é baseada em teoria. É um dado empírico. Eu conheço uma denominação pentecostal, não vou dizer seu nome, cujos membros têm reclamado que, desde que ela passou oficialmente a ser calvinista, está passando por um processo de despentecostalização visível. Seus cultos perderam a espontaneidade, estão cada vez mais formais; as profecias passaram a ser desprezadas, os batismos no Espírito Santo começaram a se tornar raros. Sem falar dos perigos de alguns crentes descambarem para o fatalismo via adesão ao calvinismo.




Estou dizendo com isso que a Assembleia de Deus é “perfeita”? Que não temos nada para mudar para melhor? Que não precisamos refletir sobre nada referente à nossa forma de ser? Não, não é isso. Acho que devemos sempre estar refletindo com humildade sobre nossas virtudes e imperfeições; e nossa denominação, nas últimas décadas, tem melhorado positivamente em alguns aspectos justamente como fruto dessa reflexão. Em outras, ainda não. Essas mudanças são paulatinas, e é melhor que sejam assim mesmo, porque mudanças abruptas nunca fazem bem. Porém, é preciso sublinhar que essas mudanças nunca podem significar a perda de nossas raízes, da nossa espinha dorsal, da nossa essência, daquilo que realmente somos, e o arminianismo faz parte da essência assembleiana.




Além do mais, até entendo que um crente assembleiano possa ter particularmente convicções calvinistas, mas empenhar-se em um projeto de “calvinização” da denominação é demais. Não que eu conheça alguém particularmente empenhado nisso. Falo em hipótese. Se você já não se sente bem na Assembleia de Deus, se não se sente mais um assembleiano, se sente-se mais um calvinista do que assembleiano, é melhor sair da Assembleia de Deus e ir para uma igreja tradicional ou renovada calvinista. Pelo menos em favor da própria coerência.
TP)  Você afirma que um dos erros dos arminianos nas Assembleias de Deus foi enfatizar mais o combate ao calvinismo, muitas vezes de maneira um tanto amadora, do que afirmar ou reafirmar o arminianismo. Podemos falar apenas em uma “estratégia apologética mal focada” ou num desconhecimento dos teólogos assembleianos do seu próprio arminianismo, mesmo entre aqueles mais informados?
SD- Creio que pode ter havido isso também, como vemos no caso de alguns poucos que dizem que não são calvinistas, mas também não são 100% arminianos por real desconhecimento do que é o arminianismo; mas, no geral, foi mais a aplicação inconsciente de uma estratégia apologética equivocada. E esse erro só pode ser percebido agora porque foi apenas mais à frente que surgiu um contexto que favoreceu uma maior aproximação dos assembleianos em relação à teologia reformada, contexto este que descrevo no início do meu artigo na revista Obreiro. Foi somente quando esse novo contexto surgiu que se descobriu que essa estratégia era falha, porque ele provou que muitos assembleianos ou ainda não compreendiam direito o arminianismo ou não sabiam defender bem a sua posição. Além disso, como já disse, muitos batiam muito no velho calvinismo fatalista pensando que estavam batendo no calvinismo de forma geral, que é majoritariamente compatibilista.
TP) Sabemos que tradicionalmente a Assembleia de Deus no Brasil é arminiana, não há dúvidas sobre isso, mas essa teologia não está expressa em sua confessionalidade oficial. A confissão de fé das Assembleias de Deus no Brasil é muito concisa. Quando lemos os 14 pontos do “Cremos”, não é possível identificar qual seria a “mecânica” de salvação adotada pelo documento.  Embora você não coloque esse ponto no artigo como causa do aumento no número de calvinistas entre assembleianos, é possível afirmar que essa concisão acentuada da confessionalidade assembleiana ajuda nesse processo de “muitas vozes” teológicas no seio da denominação? Ou seja, um documento muito curto ajuda na multiplicidade de opiniões, na falta de unidade? Ou ainda, seria o caso da Assembleia de Deus no Brasil adotar um documento confessional e, portanto, oficial, mais amplo e detalhado?
SD- Sim, creio que essa concisão dá margens a essas “muitas vozes”. Aproveitando: a razão de nosso “Cremos” ser tão conciso assim se deve a fatores históricos. Durante um bom tempo, os líderes assembleianos brasileiros nunca sentiram internamente – no seio da denominação – uma real necessidade de um documento mais amplo. Não havia grandes divergências internas doutrinárias dentro da denominação. Também não havia muito contato com a teologia de fora. Era muito difícil, por exemplo, ver um assembleiano brasileiro estudando em seminários de outras denominações. Até o fim dos anos 70, a denominação colocava o seu ensino teológico informal acima do ensino formal de teologia dos seminários, mesmo os da própria denominação. Ora, historicamente, os credos só vão ficando mais encorpados quando a igreja que professa aquele credo percebe a necessidade de se enfatizar determinada doutrina que está sendo atacada. Se não há grandes ataques, o credo geralmente fica como está. E foi o que aconteceu.




Como até poucas décadas atrás as divergências teológicas e as heresias que surgiam na AD eram muito pontuais, sem afetar a denominação como um todo, ninguém pensou em ampliar o “Cremos”. Só mais recentemente é que tivemos fenômenos maiores, geralmente advindos da influência neopentecostal em nosso meio e que exigiram da liderança da AD a produção de longos documentos oficiais explicitando nosso posicionamento doutrinário sobre determinadas questões. A Comissão de Apologética da denominação é um reflexo desse novo momento. Ela foi formada a partir de 2001, isto é, só há 14 anos. E só de 2012 para cá surgiu a discussão do detalhamento do “Cremos”, que deve ser levada adiante nos próximos anos.




Outro detalhe é que alguns articulistas assembleianos antigos, já falecidos, interpretavam essa concisão do nosso “Cremos” de forma positiva, como uma suposta demonstração da virtuosa “não-formalidade pentecostal”. Só que eles se esqueciam que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ter uma confissão de fé mais elaborada não significa que seremos agora uma denominação liturgicamente mais formal. Sempre defendi que ter uma confissão de fé mais detalhada, que seja plenamente fiel às nossas raízes bíblicas e teológicas, não significa ter uma igreja mais formal. Significa resguardar mais a denominação de “ventos de doutrina”. Não basta ter o detalhamento de nossa doutrina distribuído espalhadamente em livros, revistas e jornais oficiais da denominação. É preciso ter esse detalhamento todo reunido e organizado em um só documento oficial. É mais prático. É uma questão de praticidade e, nesses dias de tanta confusão doutrinária, de necessidade também.
TP) Um ponto muito interessante do artigo é o conceito da contingência na presciência de Deus. Embora muitos pentecostais estejam bem distantes do Calvinismo, é comum na teologia popular certo fatalismo quando se trata de “causas e consequências”, especialmente diante de grandes tragédias. A frase “”Deus assim quis”” é muito comum sem levar em conta a lógica da afirmação em alguns contextos.  Por que o fatalismo e até certo determinismo é comum na teologia popular?
SD- É a velha confusão popular que é feita entre “vontade permissiva” e “vontade diretiva” de Deus. Muitos crentes acabam tratando tudo como “vontade diretiva”, embarcando, na prática, em um fatalismo, esquecendo os aspectos contigenciais dos acontecimentos e também o peso da responsabilidade humana em muitos casos. Isso acontece quase que invariavelmente em casos de tragédias, justamente porque tendemos a buscar explicações simplistas para acontecimentos chocantes, quando muitas vezes as explicações não são tão simples. Ou às vezes são e nós complicamos, mistificamos.
TP) Você dedica os quatro últimos parágrafos do texto a falar em um tom conciliatório, citando especialmente Charles Spurgeon, pregador calvinista e batista inglês. Chega até a afirmar que o Calvinismo honra a Deus, assim como o Arminianismo. Em tempos de debates acalorados na internet o que você, como arminiano convicto, tem aprendido dos calvinistas?
SD- Quando disse que o calvinismo honra a Deus tanto quanto o arminianismo, claramente estou me referindo ao calvinismo majoritário, compatibilista. É óbvio que o calvinismo compatibilista honra a Deus como o arminianismo, porque ambos reconhecem tanto a soberania de Deus quanto a responsabilidade humana, que são ensinadas nas Escrituras; ambos pregam fielmente a mensagem e o método da Salvação; ambos enfatizam a necessidade de se viver uma vida de santidade, de se pregar o Evangelho, de se fazer missões, de se viver a vontade de Deus etc. Não posso dizer o mesmo do calvinismo fatalista. Quanto ao que aprendi com os calvinistas, posso dizer que, em termos de teologia, não aprendi com eles mais do que aprendi com bons teólogos arminianos, mas isso não significa que não tenha visto muita coisa boa. É óbvio que vi. Há muita coisa boa e enriquecedora na teologia reformada, mas o que me chama mais a atenção mesmo nos autores calvinistas clássicos não é tanto seus “insights” teológicos. Dos grandes cristãos do passado que eram calvinistas, chama-me mais a atenção suas vidas: sua paixão por Deus, pela pureza, pela santidade de Deus, pelo viver para glória de Deus.




Lembro quando nos anos 80 li pela primeira vez “Heróis da Fé” (CPAD) do missionário assembleiano Orland Spencer Boyer. Fui tocado pelo testemunho de vida dos homens de Deus ali apresentados, e a maioria deles era de calvinistas. Isso me fez buscar mais sobre esses homens, e foi assim que li as obras de Lutero, as obras de John Bunyan, Richard Baxter, os sermões e livros de Spurgeon, os sermões copilados de Whitefield, sermões e principais obras de Jonathan Edwards. Depois li John Owen, Matthew Henry, e os nossos contemporâneos Martin Lloyd-Jones e J. I. Packer. Mergulhei de cabeça nos puritanos, em sua história, em suas obras, de maneira que, no início dos anos 90, já havia lido tudo deles e sobre eles que pude encontrar no Brasil e até um pouco do muito que se tem deles lá fora. Nessa época, era leitor assíduo da revista “Os Puritanos”, que não sei nem se ainda existe. Isso faz 20 anos ou mais. Contudo, nada disso me tornou um calvinista. Ainda hoje adquiro obras desses grandes homens e toca-me sua devoção e alguns “insights” teológicos. Assim como tocam-me a vida e os escritos de arminianos como os irmãos Wesley, Moody, Tozer e Ravenhill, dentre outros. Aliás, sempre achei, sob muitos aspectos (não em todos), esse embate entre calvinistas e arminianos uma perda de tempo, preferindo mais aproveitar a riqueza que há na produção de ambos os lados do que ficar me detendo nas diferenças. Essa minha atitude levou até alguns colegas meus arminianos a pensarem equivocadamente, alguns anos atrás, que eu era um “calvinista enrustido”. Bobagem! Quem me conhece sabe que sempre fui um arminiano convicto. Apenas sempre me senti incomodado com essa história de dizer que um excelente livro que é de autoria de um calvinista não presta porque é escrito por um calvinista. Há obras magníficas escritas por grandes cristãos calvinistas como por grandes cristãos arminianos. Usufruamos dessa riqueza de ambos os lados!
TP) O Arminianismo muitas vezes é dividido entre o “do “intelecto”” e “do “coração””, sendo o primeiro preocupado em se adequar ao espírito moderno e às demandas do Iluminismo em particular. Muitos arminianos no século XVII seguiram essa tendência liberal. Hoje, o liberalismo teológico é pequeno, mas crescente no Brasil, mesmo entre os pentecostais. Como o arminianismo “”do coração”” pode responder de maneira eficaz ao liberalismo usando o próprio arminianismo?
Entendo o sentido dado a esses termos pelos autores que estabelecem essa divisão, mas não a acho correta. O chamado “arminianismo do intelecto”, na verdade, é uma referência à ala de seguidores de Arminius que acabaram se afastando do pensamento original de seu mentor, inspirados pela onda racionalista que nascia em seus dias e que culminaria na febre iluminista que viria logo em seguida. Aqueles que permaneceram fieis ao pensamento original de Arminius, que era totalmente ancorado nas Escrituras, não são arminianos apenas “de coração”, mas “de intelecto” também, e obviamente não no sentido empregado pelos autores que preconizam essa divisão dentro do arminianismo. É esse arminianismo original, “do coração e do intelecto”, que pode responder de maneira eficaz ao liberalismo teológico de ontem e de hoje.

sábado, 10 de novembro de 2012

O uso dos Salmos na devoção cristã

Por Franklin Ferreira

Durante quase dois mil anos, os Salmos foram centrais para a devoção da igreja cristã, ensinando os fiéis a orar, em resposta ao Deus que se revela, uma confissão e glorificação ao Deus trino, criador, redentor e restaurador. Deste modo, “quando abraçamos Salmos, juntamo-nos a um amplo grupo de pessoas que por quase trinta séculos tem baseado seus louvores e orações nessas palavras antigas. Reis e camponeses, profetas e sacerdotes, apóstolos e mártires, monges e reformadores, executivos e donas de casa, professores e cantores populares – para todos esses e para uma multidão de outros, Salmos tem sido vida e respiração espiritual”.1 Como Eugene Peterson escreve, “não existe outro lugar em que se possa enxergar de forma tão detalhada e profunda a dimensão humana da história bíblica como nos Salmos. A pessoa em oração reagia à totalidade da presença de Deus, partindo da condição humana, concreta e detalhada”. Só que, por volta da primeira metade do século dezenove, com o aparecimento dos métodos críticos de estudos bíblicos, os salmos perderam sua centralidade na devoção cristã. Deixaram de ser a escola de oração que dava forma à oração dos fiéis, em sua resposta ao Deus que se revela. Passaram a ser vistos, na avaliação de Peterson, como a piedade deteriorada de uma religião desgastada.2
1. Os Salmos e a oração
A escola que Israel e a Igreja recorreram para aprender a orar foram os Salmos, que, junto com Isaías, foi o livro mais citado por Jesus e os apóstolos no Novo Testamento, inclusive como apoio de doutrinas centrais da fé cristã. Para os primeiros cristãos, a ordem era: “Enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos” (Ef 5.18-19). Logo, estes, “como seus antepassados judeus, ouviram a palavra de Deus nesses hinos, queixas e instruções e fizeram deles o fundamento da vida e do culto”.3 
Os salmos eram declarações de relacionamento entre o povo e seu Senhor. Pressupunham a aliança entre ambos e as implicações de provisão, proteção e preservação dessa aliança. Seus cânticos de adoração, confissões de pecado, protestos de inocência, queixas de sofrimento, pedidos de livramento, garantias de ser ouvido, petições antes das batalhas e ações de graças depois delas são, todas expressões do relacionamento ímpar que tinham com o único Deus verdadeiro. Temor e intimidade combinavam-se no entendimento que os israelitas tinham desse relacionamento. Eles temiam o poder e a glória de Deus, sua majestade e soberania. Ao mesmo tempo protestavam diante dele, discutindo suas decisões e pedindo sua intervenção. Eles o reverenciavam como Senhor e o reconheciam como Pai.4
Na igreja primitiva e durante a reforma protestante, quando um pastor queria ensinar sua congregação sobre a oração, pregava nos Salmos. Nos séculos IV e V, Atanásio de Alexandria enfatizou que cada Salmo “está composto e é proferido pelo Espírito”, sendo o “um espelho no qual se refletem as emoções” de nossa alma, onde “podemos captar os movimentos da nossa alma e nos faz dizer como provenientes de nós mesmos, como palavras nossas, para que, trazendo à memória nossas emoções passadas, reformemos a nossa vida espiritual”.5 Ambrósio de Milão, que introduziu o canto dos salmos no culto público no Ocidente, chamou-os de “um tipo de ginásio para ser usado por todas as almas, um estádio da virtude, onde diferentes exercícios são praticados, dentre os quais se podem escolher os mais adequados treinamentos para se alcançar a coroa”.6 Agostinho de Hipona, que pregou todo o livro dos Salmos para sua congregação, chamou-os de “escola”, “espelho” e “remédio”, “cantados no mundo inteiro”.7 Quando sua última doença o derrubou, ele pediu aos seus irmãos que fixassem nas paredes de sua cela cópias em letras grandes dos salmos penitenciais (Salmos 6, 32, 38, 51, 102, 130 e 143), para que ele os lesse continuamente.
No século XVI, Martinho Lutero afirmou que o livro dos Salmos “não coloca diante de nós somente a palavra dos santos, (...) mas também nos desvenda o seu coração e o tesouro íntimo de suas almas”, onde aprendemos a “falar com seriedade em meio a todos os tipos de vendavais”, e que o saltério “faz promessa tão clara acerca da morte e ressurreição de Cristo e prefigura o seu Reino, condição e essência de toda a cristandade – e isso de tal modo que bem poderia ser chamado de uma ‘pequena Bíblia’”. Ele também afirmou: “É muito benéfico ter palavras prescritas pelo Espírito Santo, que homens piedosos podem usar em suas aflições”.8 Em seu leito de morte, ele recitava continuamente: “Nas tuas mãos, entrego o meu espírito; tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade” (Sl 31.5). Por seu lado, João Calvino, que comentou todo o livro de Salmos, escreveu:
Tenho por costume denominar este livro – e creio não de forma incorreta – de ‘Uma anatomia de todas as partes da alma’, pois não há sequer uma emoção da qual alguém porventura tenha participado que não esteja aí representada como num espelho. Ou melhor, o Espírito Santo, aqui, extirpa da vida todas as tristezas, as dores, os temores, as dúvidas, as expectativas, as preocupações, as perplexidades, enfim, todas as emoções perturbadas com que a mente humana se agita. (...) A genuína e fervorosa oração provém, antes de tudo, de um real senso de nossa necessidade, e, em seguida, da fé nas promessas de Deus. É através de uma atenta leitura dessas composições inspiradas que os homens serão mais eficazmente despertados para a consciência de suas enfermidades, e, ao mesmo tempo, instruídos a buscar o antídoto para sua cura. Numa palavra, tudo quanto nos serve de encorajamento, ao nos pormos a buscar a Deus em oração, nos é ensinado neste livro.9
No século XVII, o puritano Lewis Bayly, ao recomendar o cântico dos salmos pelas famílias cristãs, afirma: “Cantem para Deus com as próprias palavras de Deus”. E o uso do saltério deveria ter este alvo: “E faça uso frequente deles, para que as pessoas possam memorizá-los mais facilmente”. Então, ele oferece a sugestão do uso dos seguintes salmos para promover a piedade em família, nos momentos de oração e devoção:
De manhã, os Salmos 3, 5, 16, 22 e 144. De noite, os Salmos 4, 127 e 141. Implorando misericórdia depois de ter cometido pecado, os Salmos 51 e 103. Na doença em períodos de dura provação, os Salmos 6, 13, 88, 90, 91, 137 e 146. Quando o crente for restaurado, os Salmos 30 e 32. No dia de santo repouso semanal, os Salmos 19, 92 e 95. Em tempos de alegria, os Salmos 80, 98, 107, 136 e 145. Antes do sermão, os Salmos 1, 12, 147 e a primeira e a quinta partes do Salmo 119. Depois do sermão, qualquer Salmo relacionado com o principal argumento do sermão. Na Ceia do Senhor, os Salmos 22, 23, 103, 111 e 116. Para inspirar consolo e tranquilidade espiritual, os Salmos 15, 19, 25, 46, 67, 112 e 116. Depois do mal praticado e da vergonha recebida, os Salmos 42, 69, 70, 140 e 145.10
Desde o princípio, a Palavra de Deus sempre vem em primeiro lugar. Nós somos chamados a responder a Palavra de Deus, com todo nosso ser. E a oração é nossa resposta à revelação de Deus nas Escrituras. Sendo assim, os Salmos são a escola onde os cristãos aprendem a orar, pois como Peterson diz, “é esta fusão de Deus nos falar (Bíblia) e nós falarmos a ele (oração) que o Espírito Santo usa para formar a vida de Cristo em nós”.11 Ou, como Ambrósio escreveu, “a Ele falamos, quando oramos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos”.12 E Bonhoeffer completa: “Portanto, se a Bíblia também contém um livro de orações, isso nos ensina que a Palavra de Deus não engloba apenas a palavra que Deus dirige a nós. Inclui também a palavra que Deus quer ouvir de nós... (...) Que graça imensurável: Deus nos diz como podemos falar e ter comunhão com Ele! E nós podemos fazê-lo orando em nome de Jesus Cristo. Os Salmos nos foram dados para aprendermos a orar em nome de Jesus Cristo”.13
Se insistirmos em aprender a orar sozinhos, sem depender dos Salmos, nossas orações serão pobres, uma repetição de frases prontas: agradecemos as refeições, arrependemo-nos de alguns pecados, suplicamos bênçãos para nossas reuniões e até pedimos orientação. Por outro lado, toda nossa vida deve estar envolvida na oração. Peterson exemplifica esse fato com o livro do profeta Jonas, que gira inteiramente em torno das relações entre Deus e o profeta.14 Essas relações se originaram por meio do chamado profético, do qual Jonas procurou fugir. Mas este personagem não é entregue a si mesmo. Na primeira parte da historia, Deus deixa que o profeta chegue ao extremo de quase perder a própria vida, somente para em seguida restaurá-lo à posição onde se encontrava antes dele tentar evitar o chamado do Senhor.
No centro da narrativa bíblica está a oração que Jonas proferiu após ser engolido por um grande peixe. Sua primeira reação ao se encontrar no ventre do peixe foi fazer uma oração (cf. Jonas 2.2-9), o que não é surpreendente, pois geralmente oramos quando estamos em situações desesperadas. Mas existe algo surpreendente na oração de Jonas. Como Peterson destaca, sua oração não é original ou espontânea: “Jonas aprendeu a orar na escola, e orava como aprendera. Sua escola eram os Salmos”. Como o mesmo autor demonstra, frase após frase a oração de Jonas está repleta de citações dos Salmos:
  • “Minha angústia” de Salmos 18.6 e 120.1.
  • “Profundo” de Salmo 18.4-5.
  • “As tuas ondas e as tuas vagas passaram por cima de mim” de Salmo 42.7.
  • “De diante dos teus olhos” de Salmo 139.7.
  • “Teu santo templo” de Salmo 5.7.
  • “As águas me cercaram até à alma” de Salmo 69.2.
  • “Da sepultura da minha vida” de Salmo 30.3.
  • “Dentro de mim, desfalecia a minha alma” de Salmo 142.3.
  • “No teu santo templo” de Salmo 18.6.
  • “Ao Senhor pertence a salvação” de Salmo 3.8.
  • Cada palavra é derivada do livro dos Salmos. Geralmente achamos que a oração é genuína quando é espontânea, mas a oração de Jonas, numa condição extremamente difícil, é uma oração aprendida, sem originalidade alguma.
     Peterson prossegue: “Ter palavras prontas para a oração não é apenas uma questão de vocabulário. Nos últimos cem anos, teólogos deram atenção cuidadosa à forma particular que os salmos têm (crítica da forma) e os dividiram em duas grandes categorias: lamentações e ações de graças. As categorias correspondem às duas grandes condições em que nós nos encontramos: angústia e bem-estar”. De acordo com as circunstâncias e em como nos sentimos, lamentamos ou agradecemos.15 “Os salmos refletem muitas e diversas reações à vida: alegria, tristeza, gratidão e tranquila meditação, para nomear apenas algumas. O adorador israelita tinha uma oração pronta para todas as vicissitudes da vida. (...) Os salmos são orações cantadas para Deus, logo, eles chegam a nós como palavras da congregação dirigidas a Deus, em vez de a Palavra de Deus dirigida ao povo de Israel”.16
    Como Peterson enfatiza, “a forma mais comum da oração nos Salmos é o lamento”. Isso não deveria nos surpreender, já que essa é nossa condição mais comum. “Temos muitas dificuldades, então oramos muito em forma de lamento. Um estudioso da escola de oração dos Salmos conheceria essa forma melhor que todas, pelo simples fato da repetição”. Jonas se encontrava na pior situação imaginável. Seria natural que ele lamentasse. Mas ocorre o contrário – ele profere um salmo de louvor. Por isso Peterson escreve: “Uma lição importante surge aqui: Jonas estudou para aprender a orar, e aprendeu bem suas lições, mas ele não era um aluno que apenas decorava. Seus estudos não bloquearam sua criatividade. Ele era capaz de distinguir entre as formas e decidiu orar numa forma adequada às suas circunstâncias que ele enfrentava. As circunstâncias exigiam lamentos. Mas a oração, apesar de influenciada pelas circunstâncias, não é determinada por elas. Jonas usou a criatividade para orar e decidiu orar na forma de louvor”.
    Por isso, não é suficiente expressar nossos sentimentos na oração, como resposta a Deus: “Precisamos de um longo aprendizado de oração”. Por isso, a melhor escola para a oração é o livro dos Salmos. “Em sua oração”, Peterson continua, “Jonas demonstra ter sido um aluno aplicado na escola dos Salmos. Sua oração se origina de sua situação, mas não se reduz a ela. Sua oração o levou a um mundo muito maior que sua situação imediata”. Ele orou de maneira adequada à grandeza de Deus, que o chamara, nos oferecendo um forte contraste com a atual prática de oração. Nossa cultura nos apresenta formas de oração que são em grande parte centradas em nós mesmos. Mas a oração que é resposta ao Deus que se revela nas Escrituras é dominada pela percepção de Sua grandeza.
    2. A regra da oração
    Como Peterson enfatiza, o modelo básico de devoção é a oração diária baseada nos Salmos, sequencialmente, uma vez por mês.17 Mas precisamos destacar que a oração diária dos salmos não é uma ação isolada. Ela permanece entre outros dois fundamentos: a adoração junto com a igreja no domingo e a oração diária, que são recordações às vezes intencionais, outras vezes espontâneas, em resposta a Deus. Esses três fundamentos formam o ambiente de oração que estimulará a devoção. No diagrama sugerido por Peterson, esses fundamentos aparecem assim:
     A adoração na igreja firma nossa espiritualidade na Escritura e na vida em comunidade. Os Salmos nos levam a reaprender a linguagem da oração. E a oração recordada desdobra a oração para todos os pormenores da vida. O alvo é tornar a oração recordada incessante por meio da adoração comunitária junto com a oração dos salmos. Como Peterson escreve, “os Salmos, centrados entre Adoração e Recordação, são o lugar determinado onde habitualmente revisamos a base, o vocabulário e os ritmos da oração”. É esta dinâmica que desenvolverá nossa vida de oração. Por isso, a regra (regula) da devoção é: “Adoração Comunitária/Oração dos Salmos/Oração Recordada é a base de onde começamos e para onde voltamos – sempre”.
    3. Os cristãos e o uso dos Salmos
    Como aprendemos no Novo Testamento, Jesus Cristo, ao mesmo tempo em que orou os Salmos (Hb 2.12) é o principal tema dos Salmos. “O cristão encontra nos Salmos não somente os santos, mas também a Jesus Cristo, ‘o cabeça dos santos’, com seu sofrimento e sua ressurreição. Portanto, nos Salmos, como o Salmo 22 e 69, o próprio crucificado fala”.18 Portanto, é justamente aqui que é estabelecida nossa confiança de que seremos atendidos na oração: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15.7). Pois como Bonhoeffer escreveu: “Ao repetir as próprias palavras de Deus, começamos a orar a Ele. Não oramos com a linguagem errada e confusa de nosso coração; mas pela palavra clara e pura que Deus falou a nós por meio de Jesus Cristo, devemos falar com Deus, e Ele nos ouvirá”.19 Jesus Cristo ensinou aos seus discípulos que os Salmos proclamam seu nascimento, vida, morte e ressurreição (Lc 24.44). Por outro lado, uma vez que o Filho é “Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”, os Salmos são dirigidos a ele, assim como ao Pai e ao Espírito Santo (Jd 20-21). Portanto, Jesus Cristo é o alvo da oração dos salmos. E ao orarmos em nome e por meio da mediação de Jesus Cristo, nos unimos a ele, que vive sempre para interceder por nós (Hb 7.25).
    Portanto, Jesus Cristo é a chave que interpreta os Salmos e aquele que ora os Salmos deve buscar a Cristo como revelado no saltério. Em vez de tratar as promessas, súplicas, confissões e lamentos de forma analítica, na leitura dos Salmos aquele que ora participa das promessas, súplicas, confissões e lamentos do próprio Cristo. O foco de tal oração será, assim, alcançar uma maior comunhão com Jesus Cristo. “Lutero não sabia nada de um conhecimento da Bíblia puramente objetivo, desinteressado ou erudito. Tal conhecimento, mesmo se possível, seria apenas a letra morta que mata. O Espírito vivifica! Devemos, portanto, ‘sentir’ as palavras das Escrituras ‘no coração’. A experiência é necessária para entender a Palavra. Não é meramente para ser repetida ou conhecida, mas para ser vivida e sentida”.20 Num sermão sobre a expressão “invoquei o Senhor” (Sl 118.5), Lutero disse para congregação:
    Invocar é o que você precisa aprender. Você ouviu. Não fique aí apenas sentado ou virado de lado, levantando a cabeça e balançando-a, e roendo as suas unhas preocupado e buscando uma saída, com nada em sua mente a não ser como você se sente mal, como você está ferido, que coitado você é. Levante-se, seu tratante preguiçoso! Ajoelhe-se! Levante suas mãos e seus olhos para o céu! Use um salmo ou o pai-nosso a fim de clamar sua angústia ao Senhor.21
    As Escrituras, dessa forma, não são apenas a perfeita revelação de Deus, mas guia do cristão em suas lutas e vitórias – não apenas atos históricos passados e distantes, mas eventos vivos, aqui e agora. Deste modo, há outro fator que deve levar os cristãos a meditar e incluir os Salmos em sua oração:
    O abismo que há entre o cristianismo moderno e a espiritualidade da Bíblia pode ser visto (...) no nosso seletivo uso dos Salmos, que era o hinário do povo de Israel e da Igreja do Novo Testamento. Os Salmos não apenas refletem toda experiência humana (p. ex.: confusão, raiva, medo, ansiedade, depressão, alegria incontida), mas também nos forçam a parar de fingir que tudo esteja bem com o mundo. Os salmos de lamentação (por exemplo, os salmos 10, 13, 35 e 86) são veementes queixas diante de Deus em relação às contradições existentes entre suas promessas e a realidade pela qual o povo passa. Esses salmos raramente são usados no culto cristão hoje em dia. Contudo, esses salmos são atos de uma fé corajosa: corajosa, porque eles insistem em que temos que enfrentar o mundo como ele é, e que temos que abandonar toda ostentação infantil; mas também de fé, porque eles partem da convicção de que não existe assunto proibido, quando se trata de termos uma conversa com Deus. Reter daquela conversa com Deus qualquer coisa da experiência humana, inclusive a escuridão de uma oração não respondida e os aspectos negativos da vida, é negar a soberania de Deus sobre toda a vida. Assim, paradoxalmente, são aqueles que reprimem suas dúvidas com uma série de cânticos alegres que bem podem estar sendo incrédulos: pela recusa de crer que Deus pode cuidar de toda a raiva que eles têm. Assim, os salmos de protesto constituem uma poderosa repreensão ao que passa por fé e louvor na maioria dos grupos cristãos de hoje. O que é irônico é que a vida moderna talvez nos exponha a mais confusão e dor do que qualquer coisa do mundo do salmista; e contudo ignoramos exatamente aquelas orações que vêm de encontro a tal senso de desorientação. Não é de admirar que muito do ensino atual quanto à fé não seja diferente do ‘pensamento positivo’ dos gurus modernos da administração, conquanto vestido com uma roupagem pseudobíblica. A fé bíblica, entretanto, é exatamente o contrário.22
    Portanto, “os salmos continuam sendo um tesouro de auxílio espiritual para os cristãos. (...) Seja qual for o nosso estado de espírito, seja qual for nossa situação, as vozes antigas nos convidam a ouvi-las. Elas também já passaram por alegria, tristeza, luto, pecado, ira, confissão, perdão e outras experiências que tocam tão profundamente em nossas vidas. Elas nos chamam a aprender delas enquanto o Espírito Santo usa essas palavras para nos trazer para mais perto do Senhor”.23
    4. Colocando em prática
    Podemos nos beneficiar do que Dietrich Bonhoeffer escreveu sobre o uso dos Salmos: “Em muitas igrejas, cantam-se ou leem-se Salmos a cada domingo ou até diariamente. Essas igrejas preservaram uma riqueza imensurável, pois somente pelo uso diário penetraremos nesse livro divino de oração. Para o leitor ocasional, suas orações são pujantes demais em seus pensamentos e sua força, de modo que voltamos a procurar alimento mais digerível. Quem, no entanto, começou a orar o Saltério com seriedade e regularidade, logo dispensará as próprias orações superficiais e piedosas dizendo: ‘Elas não têm o sabor, a força, a paixão e o fogo que encontro no Saltério. São muito frias e rígidas’ (Lutero)”.24 Portanto, devemos incluir os Salmos em nossas orações diárias, permitindo que a Palavra de Deus estimule e guie nossas petições. E como uma ajuda para orar os Salmos diariamente em nossa meditação ou oração diária, oferecemos o roteiro abaixo:25
  • Dia 1: Salmos 1 a 8
  • Dia 2: Salmos 9 a 14
  • Dia 3: Salmos 15 a 18
  • Dia 4: Salmos 19 a 23
  • Dia 5: Salmos 24 a 29
  • Dia 6: Salmos 30 a 34
  • Dia 7: Salmos 35 a 37
  • Dia 8: Salmos 38 a 43
  • Dia 9: Salmos 44 a 49
  • Dia 10: Salmos 50 a 55
  • Dia 11: Salmos 56 a 61
  • Dia 12: Salmos 62 a 67
  • Dia 13: Salmos 68 a 70
  • Dia 14: Salmos 71 a 74
  • Dia 15: Salmos 75 a 78
  • Dia 16: Salmos 79 a 85
  • Dia 17: Salmos 86 a 89
  • Dia 18: Salmos 90 a 94
  • Dia 19: Salmos 95 a 101
  • Dia 20: Salmos 102 a 104
  • Dia 21: Salmos 105 e 106
  • Dia 22: Salmos 107 a 109
  • Dia 23: Salmos 110 a 115
  • Dia 24: Salmos 116 a 119.32
  • Dia 25: Salmo 119.33 a 119.104
  • Dia 26: Salmo 119.105 a 119.176
  • Dia 27: Salmos 120 a 131
  • Dia 28: Salmos 132 a 138
  • Dia 29: Salmos 139 a 143
  • Dia 30: Salmos 144 a 150
  • Pode ser de ajuda citar extratos de um ensaio sobre meditações diárias escritas por Eberhard Bethge em 1935, sob a supervisão de Bonhoeffer, para uso no seminário de pregadores (Predigerseminar) de Finkenwalde. Este oferece sugestões práticas que se aplicam ao uso dos Salmos em nossa oração e meditação diária:
    Nós recomendamos a meditação bíblica para moldar nossas orações e, ao mesmo tempo, para disciplinar nossos pensamentos. Finalmente, nós preferimos a meditação bíblica porque nos faz conscientes de nosso companheirismo com outros [irmãos] que estão meditando no mesmo texto. A Palavra da Escritura nunca deve parar de soar em nossos ouvidos, e [deve continuamente] trabalhar em nós ao longo do dia, como as palavras de alguém que você ama. E assim como você não analisa as palavras de alguém que você ama, mas aceita o que ele lhe diz, aceite a Palavra da Escritura e medita nela em seu coração, como Maria o fez. Isto é tudo. Isto é meditação. Não olhe para novas reflexões e conexões no texto, como se você estivesse preparando uma pregação. Não questione ‘como passar isto para alguém?’, mas ‘o que ele tem a dizer para mim?’ Pondere na Palavra longamente em seu coração e deixe que ela te dirija e te possua. Não é importante consumir o texto integral proposto para cada dia. Nós ficaremos, frequentemente, esperando um dia inteiro para ouvir o que ele tem a dizer. Deixe passagens incompreensíveis sossegadamente de lado, e não se apresse a ir à filologia. (…)
    Se os seus pensamentos o distraírem ore pelas pessoas e situações que lhe preocupam. Este é o lugar certo para intercessão. Neste caso, não ore em termos gerais, mas ore de forma objetiva por aquilo que lhe preocupa. Deixe a Palavra da Escritura o conduzir. Pode ser de ajuda você escrever calmamente o nome das pessoas com quem conversamos e pensamos todos os dias. A intercessão precisa de tempo se for levada a sério. Mas cuidado ao fixar um tempo designado para intercessão, para que esta não se torne uma fuga daquilo que é mais importante, a busca pela salvação de sua própria alma.
    Iniciamos a meditação com uma oração pelo Espírito Santo. Que ele clareie o nosso coração e prepare a nossa mente para a meditação e de todos aqueles que estarão meditando também. Então, nos voltamos ao texto. Ao término da meditação nós estaremos em posição de proferir uma oração de ação de graças com um coração satisfeito. (…)
    O tempo para a meditação é de manhã, antes de começar as tarefas. Meia hora é o mínimo de tempo necessário para a meditação. Observe que o pré-requisito é quietude extrema e o objetivo é não ser distraído por nada, por mais importante que seja.
    Uma atividade da comunidade cristã, infelizmente praticada muito raramente, mas bastante útil, é quando ocasionalmente duas ou mais pessoas se dispõe a meditar juntas. Mas que não tomem parte em discussões teológicas especulativas.26
    Bethge anexou esse texto a uma carta circular enviada de Finkenwalde para os pastores da Igreja Confessante (Bekennende Kirche), em 22 de maio de 1936. O ensaio foi rapidamente compartilhado entre os colegas pastores presos pelo governo nazista. Bethge contou depois em como a exigência de Bonhoeffer de que os alunos do seminário de pregadores de Zingst deveriam dedicar meia hora a cada manhã para meditação silenciosa de um texto bíblico lhes causou grandes dificuldades. Eles não sabiam como usar este tempo. Alguns iam dormir, outros preparavam sermões, outros nem sabiam o que fazer ou reclamavam que o tempo dedicado à meditação era excessivamente longo. Estas instruções tencionavam tornar claro aos seminaristas a importância da meditação e a maneira pela qual esta deveria ser feita.27
    Sandro Baggio, pastor-mentor do Projeto 242, preparou um roteiro para ajudar sua comunidade a praticar a leitura orante (lectio divina).28 Sugerimos que esse roteiro deve ser usado durante a meditação nos Salmos, na medida em que estas orações inspiradas pelo Espírito Santo são incorporadas às orações do povo de Deus:
    Lectio divina é um método de leitura-orante da Bíblia. É ler a Bíblia não tanto para acumular conhecimento, mas como uma forma de diálogo com Deus. Basicamente, a lectio divina consiste em statio (preparação), lectio (leitura), meditatio (meditação), oratio (oração), contemplatio (contemplação), discretio (discernimento), comunicatio (comunicação) e actio (ação). É preciso prática para penetrar na riqueza que a lectio divina pode trazer para sua vida espiritual. ‘Medita estas coisas e nelas sê diligente’ [1Tm 4.15].  A prática da lectio divina requer que você separe um tempo para estar a sós, num local tranquilo, sem distrações. Selecione o texto que deseja ler (de preferência, não muito longo).
    Os elementos centrais da lectio divina são:
    Ler: Atentamente, com prazer e com fome, saboreando as palavras como alimento espiritual. Leia o texto várias vezes, dando especial atenção aos versos ou palavras que lhe chamam atenção. Escute o que o texto fala com você.
    Pensar: O que esse texto significa para você? Que versos ou palavras falam mais à sua situação hoje? Como você tem vivido em relação a ele?
    Orar: Orar é responder ao chamado no profundo de seu coração para falar com Deus. Além de suas palavras, essa resposta pode ser também escrita em um diário espiritual, com gestos (ajoelhar-se) e cânticos.
    Viver: Você pode ler, pensar e orar o dia todo, mas a menos que você pratique a Palavra de Deus, não terá valido nada. É preciso colocar em prática o que Deus falou com você durante esse tempo de leitura e reflexão. Sua vida será o maior testemunho que você poderá dar.
    Nos dois textos citados acima é sugerida a meditação a sós. Mas queremos enfaticamente recomendar que o tempo de oração ao Deus Trino seja feita em comunidade – quando dois ou mais irmãos se reúnem para juntos buscar a Cristo em oração por meio da leitura dos Salmos. Pois não é natural que o cristão esteja só – a igreja, o ajuntamento dos fieis, é o corpo de Cristo, o templo de Deus, o santuário e habitação do Espírito Santo (1Co 3.16-17; 6.19; 10.16; 12.27; Ef 4.12) – e é em comunidade que o cristão irá não só aprender a orar, mas permanecerá em oração: “Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar” (1Ts 5.16-17). 29
    Prossigamos com Bonhoffer: “Se em nossas igrejas já não oramos os Salmos, então devemos incluí-los com mais afinco em nossas meditações matutinas e vespertinas. Devemos ler vários Salmos diariamente e, de preferência, em conjunto, a fim de lermos este livro diversas vezes ao ano, penetrando nele com mais profundidade. Não deveríamos selecionar arbitrariamente alguns Salmos. Ao fazer isto, estamos desonrando o livro de orações da Bíblia, julgando saber melhor do que o próprio Deus o que devemos orar. Na igreja antiga não era incomum saber ‘o Davi todo’ de cor. Nas igrejas orientais isto era condição para o exercício eclesiástico. Jerônimo, um dos pais da igreja, conta que na sua época ouvia-se o cântico de Salmos nas lavouras e nos quintais. O Saltério marcava a vida da jovem cristandade. Mais importante do que isto, no entanto, é que Jesus Cristo morreu na cruz com a palavra dos Salmos em seus lábios. Ao esquecer-se do Saltério, a cristandade perde um tesouro inigualável. Ao recuperá-lo, será presenteada com forças jamais imaginadas”.30 Portanto, voltemos à beleza, riqueza, profundidade e amplitude dos Salmos como nosso guia da oração.
    Conclusão
    Durante sua longa trajetória, a igreja usou os Salmos para guiar a oração e a devoção. Então, por que tantas pessoas não se dedicam à oração? Porque, como nota Peterson, o poço é fundo e não temos nada para pegar a água. “Precisamos de um vaso para colocar a água. (…) Os salmos são esse vaso. Não são a oração em si, mas o vaso mais adequado (…) para a oração que já foi criado. Recusar-se a usar esse vaso de Salmos, depois de compreender sua função, é errar de propósito. Não é possível fazer um vaso de outro formato que o substitua”. Certamente já houve várias tentativas para substituir os Salmos como nosso guia da oração. Mas por que nos contentarmos com tão pouco, quando temos esse vaso maravilhoso à nossa disposição? Deste modo, que usemos os Salmos como o livro de orações da aliança. As palavras de Martinho Lutero são apropriadas como conclusão: “O nosso amado Senhor, que nos ensinou a orar o Saltério e o Pai Nosso e presenteou-nos com eles, conceda-nos, também, o Espírito da oração e da graça, para que oremos sem cessar, com disposição e seriedade de fé. Nós precisamos disso. Ele o ordenou e, portanto, o requer de nós. A ele sejam dados louvor, honra e gratidão. Amém”.

    ____________
    1William S. LaSor, David A. Hubbard e Frederic W. Bush, Introdução ao Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 2009), p. 465.
    2Para um resumo desse processo, cf. Eugene Peterson, em Um pastor segundo o coração de Deus (Rio de Janeiro: Textus, 2001), p. 21-40.
    3William S. LaSor, David A. Hubbard e Frederic W. Bush, Introdução ao Antigo Testamento, p. 484. Para uma introdução ao estudo dos Salmos, cf. Carl J. Bosma, “Discernindo as vozes nos Salmos: uma discussão de dois problemas na interpretação do Saltério”, Fides Reformata IX, Nº 2 (2004), p. 75-118 e N. H. Ridderbos and P. C. Craigie, “Psalms”, em G. W. Bromiley (ed.), The International Standard Bible Encyclopedia, v. 3 (Grand Rapids, MI: Eerdman, 1986), p. 1030-1038.
    4William S. LaSor, David A. Hubbard e Frederic W. Bush, Introdução ao Antigo Testamento, p. 483.
    5Cf. Carta a Marcelino sobre a Interpretação dos Salmos.
    6cf. Ambrose, Explanatio Psalmorum XII.
    7cf. Santo Agostinho, Comentário aos Salmos, 3 v. (São Paulo: Paulus, 1997).
    8cf. “Prefácio ao Livro dos Salmos 1545”, “Sumários sobre os Salmos e razões da tradução”, “Trabalhos do Frei Martinho Lutero nos Salmos apresentados aos estudantes de teologia de Wittenberg” e “Os sete Salmos de Penitência”, Martinho Lutero – Obras selecionadas, v. 8: interpretação bíblica, princípios (São Leopoldo: Sinodal & Porto Alegre: Concórdia, 2003), p. 33-37, 224-233, 331-492, 493-548.
    9João Calvino, O livro dos Salmos, v. 1 (São José dos Campos: Fiel, 2009), p. 26-27.
    10Lewis Bayly, A prática da piedade (São Paulo: PES, 2010), p. 225-226.
    11Eugene Peterson, Uma longa obediência na mesma direção (São Paulo: Cultura Cristã, 2005), p. 150.
    12Ambrósio, De officiis ministrorum I, 20, 88: PL 16, 50, em Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina.
    13Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos (Curitiba: Encontrão, 1995), p. 14-15.
    14Para toda essa seção, cf. Eugene Peterson, A vocação espiritual do pastor (São Paulo: Mundo Cristão, 2006), p. 75-110.
    15Para mais informações sobre o método de estudos bíblicos conhecido como crítica da forma (Formgeschichte), e em como ela foi aplicada aos estudos dos salmos, cf. William S. LaSor, David A. Hubbard e Frederic W. Bush, Introdução ao Antigo Testamento, p. 467-478 e Derek Kidner, Salmos: introdução e comentário, v. 1 (São Paulo: Vida Nova, 1992), p. 18-29.
    16Raymond B. Dillard & Tremper Longman III, Introdução ao Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 2005), p. 207, 217.
    17Para esta seção e o gráfico empregado, cf. Eugene Peterson, A vocação espiritual do pastor, p. 96-109.
    18Paul Althaus, A teologia de Martinho Lutero (Canoas: Ulbra, 2008), p. 116.
    19Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos, p. 12.
    20Timothy George, Teologia dos reformadores (São Paulo: Vida Nova, 1993), p. 86.
    21WA 31, p. 1, em Timothy George, Teologia dos reformadores, p. 87.
    22Vinoth Ramachandra, A falência dos deuses: a idolatria moderna e a missão cristã (São Paulo: ABU, 2000), p. 60-61.
    23Bill Arnold e Bryan E. Beyer, Descobrindo o Antigo Testamento: uma perspectiva cristã (São Paulo: Cultura Cristã, 2001), p. 312.
    24Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos, p. 23.
    25“Salmos litúrgicos”, em Livro de Oração Comum: forma abreviada e atualizada com Salmos litúrgicos (Porto Alegre: Igreja Episcopal do Brasil, 1999), p. 215-406.
    26“Instructions in Daily Meditation”, em Dietrich Bonhoeffer, Meditating on the Word (Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2000), p. 21-32.
    27cf. Eberhard Bethge, Dietrich Bonhoeffer: a biography (Minneapolis: Augsburg Fortress, 2000), p. 462-465.
    28cf. Eugene Peterson, Maravilhosa Bíblia (São Paulo: Mundo Cristão, 2008), p. 17-27, 97-133.
    29Para um desenvolvimento da importância da comunidade cristã, cf. especialmente Dietrich Bonhoeffer, Vida em comunhão (São Leopoldo: Sinodal, 1997).
    30Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos, p. 23-24.